Postado por: joeldsousa | Maio 28, 2008

Reportagem sobre Limpeza Urbana de Fortaleza em 2007

Limpeza Urbana em Fortaleza

                                                          

A falta de limpeza urbana é um problema que sempre assolou as grandes metrópoles, tendo sido causadora de diversas doenças nos cidadãos, que pagam seus impostos, e, portanto, deveriam ter assegurado pelo governo o direito de viver em um ambiente limpo e saudável.

          Além do aspecto estético, diversos são os problemas causados pela falta de limpeza urbana: poluição dos rios, com a conseqüente morte de peixes e inutilização das águas para consumo e lazer; proliferação de ratos, baratas e mosquitos, que trazem doenças infecciosas como a leptospirose, a hepatite e a dengue; dificuldades no trânsito com o acúmulo de lixo nas estradas, podendo causar acidentes; entupimento dos bueiros; mau cheiro, e etc.

          A geração de resíduos sólidos (lixo) passou a se constituir algo notável a partir do capitalismo. Com a Revolução Industrial, a ampliação da oferta de mercadorias e, consequentemente, a intensificação do consumo de produtos industrializados (constituídos por elementos de difícil decomposição), se refletiu na geração e no acúmulo de lixo urbano e também elevou o tempo de coexistência entre pessoas e resíduos.

Assim, com o surgimento dessa sociedade de consumo, e com a urbanização, surgiu a necessidade de uma maior infra-estrutura nas cidades. Para tanto, foram separados locais para tratamento e destinação dos resíduos sólidos, como as usinas de reciclagem e os aterros sanitários. Bem como, a utilização de caminhões para coleta e transporte do lixo urbano

           É certo que a estruturação urbana, de uma forma geral, seguiu sempre essa lógica capitalista. E, na nossa capital, esse processo não foi diferente. Fortaleza possui, atualmente, uma grande geração de resíduos, em virtude do elevado contingente populacional e do alto padrão de produção e consumo do modelo econômico vigente.

          A coleta diária de resíduos urbanos em Fortaleza é de mais de 2.150 toneladas. Sendo que o planejamento dos serviços de limpeza urbana cabe à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMAM), as seis Secretarias Executivas Regionais (SER), e a Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (EMLURB), enquanto que o serviço de coleta dos resíduos domiciliares foi delegado a uma empresa concessionária, a ECOFOR-AMBIENTAL, empresa do grupo Marquise, que foi criada para atender com exclusividade à concessão do sistema de limpeza urbana da cidade. Existe ainda a ARFOR (Agência Reguladora de Fortaleza), órgão do município responsável por fiscalizar os serviços públicos de Fortaleza.

           No entanto, apesar de todos esses órgãos e empresas voltadas para a limpeza  urbana de Fortaleza, a prefeitura tem se mostrado ineficiente em controlar e destinar os resíduos públicos, trazendo uma série de dificuldades para a população. Apesar do slogan “Vamos fazer uma Fortaleza bela” da campanha da então candidata, e atualmente prefeita, Luiziane Lins, é possível encontrar em nossa cidade diversos pontos críticos em relação à limpeza urbana, ficando o slogan e as promessas da prefeita muito distantes do que se propunha.

            Segundo pesquisa, os diversos pontos de lixo e entulho que podem ser visto em Fortaleza estão: na Avenida João Pessoa, próximo à Rua professor Costa Mendes (Damas); na Rua Álvaro Martins, entre a Avenida João Pessoa e a Rua Carlos Câmara (Damas); na Rua ao lado da Praça Gustavo Braga (Damas); na Rua Deputado João Pontes, entre a Rua Sólon Pinheiro e a Rua Barão de Aratanha (Fátima); na Rua Dom Sebastião Leme, com Rua Padre Matos Serra (Fátima); na Avenida Borges de Melo, entre a Avenida dos Expedicionários e a Rua Viçosa (Jardim América); na Rua Conselheiro Tristão, com Rua Joaquim Magalhães (José Bonifácio); na Rua Sólon Pinheiro, com Rua Joaquim Magalhães (José Bonifácio); na Avenida Professor Gomes de Matos, com Rua Romeu Martins (Montese); na Avenida Godofredo Maciel, entre a Rua Bandeirantes e a Rua Monte Serrat (Parangaba), entre outros lugares. (Fonte: O POVO, 2007).

            A prefeitura gasta com a empresa contratada para fazer a limpeza pública (a ECOFOR); o equivalente a R$ 4.800.000 (quatro milhões e oitocentos mil reais); dinheiro este que vem dos cofres públicos e, obviamente, dos impostos pagos pelos contribuintes.

             Entretanto, esta empresa possui um quadro insuficiente de funcionários para cobrir a grande extensão da capital. Além disso, esses funcionários (garis) são mal remunerados. Eles recebem mensalmente a ínfima quantia de R$ 355, mais R$ 3,00 por dia, de vale de refeições. O montante é insuficiente para manter uma vida digna. Muitos chegam a pedir ajuda financeira nas casas. Além disso, trabalham em péssimas condições. Faltam os materiais necessários à realização de suas atividades. Muitas vezes faltam sacos, pás, pontais (depósito de lixo com rodas carregadas pelos garis), fardamentos e, inclusive, chegando ao cúmulo de alguns garis terem que comprar até vassouras para proceder com a limpeza pública.

            A insatisfação dos funcionários da empresa ECOFOR, quanto à questão salarial e as péssimas condições de trabalho oferecidas, têm gerado um grande desconforto entre os funcionários, inclusive acarretando manifestações, tendo já ocorrido duas greves, só neste ano.

             No último dia 8 de maio, os garis que trabalham para a ECOFOR do grupo marquise, iniciaram uma paralisação por tempo indeterminado, reivindicando entre outras coisas: aumento salarial, participação no PRL (Plano de Lucros e Resultados) e melhores condições de trabalho. As conseqüências dessa greve puderam ser vistas por toda a cidade. O lixo acumulado incomodou a população que teve que dividir ruas e calçadas com a sujeira. A paralisação contou com a adesão de 1200 garis. No mesmo dia, a categoria se reuniu em frente a um posto da marquise e seguiu em caminhada até a Praça do Ferreira, onde explicaram para a população os reais motivos pelos quais a cidade encontrava-se tão suja. Enquanto a greve não acabou, aproximadamente 2300 toneladas de lixo deixaram de ser recolhidas diariamente em ruas e bairros da capital cearense. “Tudo que queremos é condições de trabalho”, diz Vicente Lobo, presidente do Sindicato dos Servidores da EMLURB (SINDILURB). “Não existem condições de trabalho, a gente ganha pouco e não tem o material necessário para fazer a limpeza”, diz José Romualdo, gari que faz a limpeza da Rua Barão do Rio Branco, no centro. A greve acabou no dia 11de maio. Os garis obtiveram algumas conquistas, entre elas: a participação no PRL e um aumento de 15%, entre salário e vales-refeição. Todavia, esse aumento não foi suficiente; o contingente de trabalhadores não foi aumentado, nem as condições de trabalho foram melhoradas. Ou seja, o problema não foi resolvido, apenas foi adiado, até uma nova manifestação, ou então, até o estabelecimento de uma calamidade pública na limpeza urbana de Fortaleza. È preciso então que a prefeitura faça uma melhor fiscalização dos trabalhos realizados pela empresa ECOFOR, verificando inclusive, a necessidade de aumentar seu quadro de pessoal, ou quem sabe, avaliar a possibilidade de contratar mais uma empresa para a realização dos trabalhos de limpeza urbana em nossa capital.

             Entretanto, o problema da deficiência na limpeza urbana de Fortaleza não se restringe apenas a um problema administrativo da Prefeitura e da empresa ECOFOR. Existe também a questão da falta de educação dos moradores. Falta de educação que já está arraigada na cultura da população, a qual joga lixo nas ruas, nas calçadas, nos campos, ou em qualquer lugar com pouca movimentação. É cena comum em Fortaleza ver alguns populares jogando na rua, diversos tipos de resíduos: papéis de bombom, latas de refrigerante, espetos de churrasco, restos de comida e etc.

            É preciso então que haja uma mobilização do governo local e da população no sentido de promover uma gestão ambiental eficaz. Para que isso corra são necessárias mudanças nas atitudes, nos padrões de comportamento e na própria cultura, tanto por parte dos cidadãos, quanto por parte das lideranças.

Para alcançar o compromisso das pessoas com a melhoria da qualidade ambiental é preciso, em primeiro lugar, que elas se percebam como parte integrante deste processo, tendo acesso a conhecimentos básicos sobre o meio ambiente, que as auxiliem na identificação das principais fontes geradoras de impactos ambientais. Cabendo às lideranças governamentais a responsabilidade de prover esses conhecimentos.

              A educação ambiental é um importante instrumento para que as pessoas conheçam, compreendam e participem das atividades de limpeza urbana, assumindo uma postura pró-ativa, tornando-se então, o cidadão, o primeiro a dar exemplo. Essa reeducação ambiental deve também integrar vários setores da sociedade, na perspectiva de diálogo entre os mesmos, com o objetivo de compartilhamento de conhecimentos sobre o meio ambiente e de promoção participativa de melhorias. Precisa ainda ser veiculada através de campanhas de cunho continuado, que intentem a mobilização e sensibilização da comunidade.

              Enfim, prefeitura e populares devem unir-se para fazer de Fortaleza realmente um lugar belo e agradável de viver. Uma “Fortaleza”, em todos os seus sentidos.

 

 

 

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Esse post é de grande ajuda ao meu tema de pesquisa, Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (em Fortaleza). Gostaria de manter contato e informações sobre as notícias ambientais da capital. Obrigada!

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