Postado por: joeldsousa | Junho 15, 2008

Que personagem represento?

 

Ás vezes não entendo os humanos….

 

            Exigem a sinceridade e quando a recebem se magoam, se isolam, passam a nutrir um sentimento de autocomiseração.

            A sinceridade, pelo menos em tese, deveria tornar a vida mais fácil, mais agradável. Mas nem sempre é assim. Nossa cultura não é assim. Parece que não estamos preparados para ouvir a verdade.

            A falta da sinceridade começa em casa, quando ainda meninos, nos dizem que não podemos fazer isso ou aquilo, mas não explicam o porquê: - “conforme-se em saber que é para o seu próprio bem”, explicam.

            Na escola, podemos passar sem estudar muito. O professor pode fingir que está ensinando e o aluno pode fingir que aprende. E aí começa a “pescaria”. Seja no braço da carteira, em pequenos pedaços de papel, na mão, por baixo da roupa, ou torcendo o pescoço para ver a prova do colega ao lado. Alguns mais audaciosos trocam as provas e outros até conseguem a prova, antes desta ser entregue. Bem, passamos, cumprimos o papel. E lá vem o diploma.

            Desde a sala de aula, parece que nos aproximamos das pessoas com algum interesse. Alguns se aproximam dos que são populares; outros se aproximam dos mais inteligentes. Tem aqueles que se aproximam dos que gostam de debater e ingressar em alguma luta por uma causa qualquer. E ainda existem aqueles que se aproximam dele ou dela porque anseiam algo além da amizade.

            Dado o entrosamento, começam os fingimentos. Cada qual cria um personagem para que o outro assim o reconheça. Somos incapazes de dizer o que realmente gostamos ou quem realmente somos. Antigamente utilizava-se o “disparate” (é o novo), como forma de tentar conhecer mais um pouco do outro. Mas, apesar das perguntas mais ousadas, acredito que era o momento em que mais fingíamos. Ficar fora dos padrões da “galera”, nem pensar. Aliás, na verdade, muito do que somos é apenas reflexo do outro. Gostos, cacoetes, aspirações, revoltas. Parece que somos formados a cada dia, no outro.

            E assim vamos crescendo, cada qual construindo seu papel. Já prestou atenção quando em algumas situações você aceitou aquela buchada ou até aquele bolo com cheiro de ovo que odeia só pra não ofender? E as vezes que teve ir com alguém em algum lugar distante, porque essa pessoa queria muito, mas por você mesmo, teria ficado em casa? E aquela visita inesperada, ou aquela que se demora tanto que você não sabe mais o que fazer para incentivá-la a ir embora? No entanto, você não tira o sorriso amarelo do rosto. Bem, o outro nunca vai saber que está incomodando.

            Escondemos nossas dores, nossas invejas, nossas frustrações, nossas revoltas. Escondemos nossos medos, ou nossa falta de conhecimento. Talvez por dois motivos principais: primeiro porque podem usar o que foi revelado contra nós mesmos. Segundo porque não podemos demonstrar defeitos. “Somos fortes, corajosos, decididos,  perfeitos”.

            Os sentimentos bons; há! Esses podemos demonstrar. E é até recomendável: bondade, caridade, empatia, fidelidade, temperança. Passamos a imagem de um alguém totalmente confiável, o amigo da hora certa!.

            Mas a verdade é que todos somos falhos, nossa estrutura é falha. Nossos sentimentos são falhos. Fomos concebidos falhos. A sociedade é falha e corrupta, começa na colonização e se estende pela modernidade.

            Parece que somos trabalhados a cada dia, lapidados como uma pedra bruta que precisa se tornar no mais fino cristal. As dificuldades, as alegrias, as dores, os problemas a serem vencidos, tudo isso nos traz grandes ensinamentos. Contudo, existe a questão da escolha. Há sempre uma escolha!

            Escolher vencer a dificuldade, procurar suplantar as deficiências e tentar mais uma vez. Ou escolher deixar-se abater e ter pena de si próprio, e colocar a culpa no mundo.

            Não podemos julgar uma pessoa baseados em nós mesmos. Temos o terrível hábito de queremos visualizar no outro, aquilo que de mal temos em nós, mas temos vergonha de partilhar, de pedir ajuda. Generalizamos, definimos e taxamos as pessoas disso ou daquilo. Esquecemos que estas podem ser o nosso reflexo no espelho.

            Na longa busca pelo aperfeiçoamento, acredito que um dos pilares que devem sustentar nossas vidas é a escolha de ser sempre sincero. Não precisa ser o sincero agressivo. Talvez a sinceridade branda surta mais efeito, do que ríspidas palavras de desaprovação de atitudes. Até porque, como diz o ditado – “enquanto apontamos um dedo contra uma pessoa, outros quatro dedos estão apontando para nós”.

            Partindo do pressuposto que todos têm imperfeições, o melhor é estendermos o perdão sempre que formos ofendidos, e ainda, nos colocarmos no lugar do outro para que possamos compreendê-lo melhor.

            A vida é curta para nos prendermos em sentimentos pesados e negativos, que há muito, deveriam ter sido extirpados. Não podemos viver num ciclo vicioso de erros, sem aprendizado, fundamentados somente em retrocessos.

            Aprender com os erros, exercitar a reflexão e se colocar no lugar do outro, me parece ser o caminho mais coerente, para nos tornarmos um pouco melhores.

            Se de repente você achar que eu generalizei. Respeito tua opinião. Mas, cuidado! Você pode não está sendo sincero consigo mesmo.  

           

 

 

Respostas

Joel,

Teu blog está muito bonito. Parabéns!
Deus te abençoe.

Abraço ;)

P.S.: Já linkei no meu há alguns dias, viu.

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